Archive for março \25\UTC 2010

Eu sei.

março 25, 2010

A: De onde paramos?

B: Nunca paramos.

A: Conversas repetitivas…

B: Vida repetitiva.

A: Cadê voce?

B: No mesmo lugar.

A: Quem é você?

B: A mesma pessoa.

A: Eu cansei.

B: Do quê? Nem começamos.

A: Temos algo pra começar?

B: Para. Já acabamos com isso.

A: Acabamos com o quê?

B: Com o encanto.

A: Perdeu encanto?

B: Se transformou em nostalgia.

A: Você não me pergunta nada, nunca.

B: Cadê voce?

A: Te procurando.

B: Quem é você?

A: Não sei.


É claro – que tá tudo escuro.

março 18, 2010

Algo me diz que perdemos algo.  Pode ser que não seja nada demais. Pode ser que seja a coisa mais importante do mundo. Não faz diferença.

A coisa mais importante do mundo, não é nada demais.

Você acha que o amor é tudo na vida e, de repente, vê que não sabe nadar.

É, você não sabe nadar. E se o avião cair no mar? O amor vai te salvar? Não, a natação vai te salvar. E se você escorregar na piscina? E se o barco afundar? E se um tsunami atingir a tua praia?

Eu tô nadando contra a corrente.

A: Bons amigos?

B: Mais do que amigos.

A: Menos do que amantes.

B: Menos drama.

A: Mais amor.

B: Mais paciência.

A: Menos indecisão.

B: Menos…

A: Menos?

B: Mais.

A: Agora?

B: Depois…

A: Depois vai ser diferente.

B: Se depois fosse óbvio, você não estaria aqui.

A:  E se eu for embora?

B: Não seja tão óbvio.

I don’t call to say I love you.

março 14, 2010

Eu tenho medo de telefone. Pra falar a verdade, eu tenho pavor de telefone.

Não que o aparelho me deixe assustado; eu tenho medo é de falar.

Eu tenho tanto medo, que não gosto de receber ligação.

Eu não tenho conta, não atendo o telefone de casa, mando dizer que não to. Eu não falo direito nem com meus pais.

Não consigo explicar quando isso começou, nem o porquê.

Eu não consigo ligar, eu não consigo atender. E, provavelmente, eu nunca mais ligarei pra ninguém.

Eu e o telefone:

– Aceleração da frequência cardíaca ou sensação de batimento desconfortável;
– Sudorese difusa ou localizada (mãos ou pés);
– Tremores finos nas mãos ou extremidades ou difusos em todo o corpo;
– Sensação de sufocação ou dificuldade de respirar;
– Sensação de desmaio iminente;
– Dor ou desconforto no peito (o me leva a acreditar que estou tendo um ataque cardíaco);
– Náusea ou desconforto abdominal;
– Tonteiras, instabilidade sensação de estar com a cabeça leve, ou vazia;
– Despersonalização ou desrezalização;
– Medo de enlouquecer ou de perder o controle de si mesmo;
– Alterações das sensações táteis como sensação de dormências ou formigamento pelo corpo;
– Enrubescimento ou ondas de calor, calafrios pelo corpo;

– Medo de morrer.

Não ligo pra isso.

Não tô ligado nas novidades.

Não liguei os pontos.

Não liga pra isso.

Não me liga.

B: Oi!!!

A: Oi, que bom que tu ligou! ¿Que pasa?

B: Nada demais, liguei pra dizer que eu to com saudade.

A: Hmmm, legal. Que bom, que bom…

B: E aí? O que você anda fazendo.

A: O de sempre.

B: Tava ouvindo a sua música favorita…

A: Todo dia eu mudo minha música favorita.

B: Ok…

A: Terminei de ver o filme…

B: Gostou?

A: Não. Olha, eu não gosto de telefone…

B: Você não está falando com o telefone; está falando comigo!

A: Tu só fala comigo na merda do telefone!

B: Essa pessoa que VOCÊ acha que sou, só existe na merda da SUA cabeça!

A: Posso desligar a minha cabeça, então?

B: Deixa pra lá…

A: “Pela enésima vez, vamos recomeçar tudo outra vez”

B: Isso não é seu.

A: O mundo também não é.

B: Me liga quando você decidir o que quer…

A: É tu quem não sabe o que quer!

B: Mas sei o que não quero.

A: Eu não quero mais falar, eu não quero mais nada…

B: Isso é o que eu não quero. Eu decido, você não.

A: Eu sonho.

B: Vai sonhando, enquanto eu vivo.

Ela disse “Adeus”.

março 14, 2010
: Adeus.

Ela disse “Adeus”.

“Adeus”, logo na primeira conversa. Vai entender o que eu não entendo…Vai, volta. Oi, tchau. Fica, vai. Volta.

B: Teu perfume é bom.

A: Eu também acho, mas não escolhi. Foi minha mãe que me deu.

B: Esse é o melhor perfume que existe!

A: Ao menos, ela acertou.

B: Não sai de mim…

A: Bom, pelo menos o perfume…

B: Você também não…

A: Sério?

B: Não sei. Você sabe como eu sou, avisei desde o começo.

A: Mas tu começou dizendo “Adeus”.

B: Sim, e você não entendeu.

A: Então, porque me chama?

B: Já te falei: sou assim!

A: E eu? Como eu fico?

B: Você não é obrigado a nada…

A: Vou embora.

B: Não. Fica mais um pouco.

A: Pra quê?

B: Eu quero! Eu quero!

A: Mas amanhã não vai querer.

B: Amanhã não importa.

A: E se importar?

B: Adeus.

: Adeus.

Ela não sabe.

março 12, 2010

“Ela não sabe muito bem o que quer”, responderia eu ao Humberto Gessinger, contrariando a grande letra de “Ela sabe”.

“Diga a ela que me viu num bar, e que eu estava com o Thedy e o João”.

B: Vamos começar tudo outra vez?

A: Não fui eu quem pediu.

B: Mas você quis.

A: Eu sempre quero.

B: Esse é o seu problema.

A: Meu?

B: Seu.

A: Nosso?

B: Seu. Você sabe que eu sou assim…

A: Assim como?

B: Segura.

A: É mesmo? Tem certeza?

B: Não. Vamos sair daqui?

A: Eu já saí.

B: Então fica…

A: Tu não vai te decidir?

B: Eu te avisei que era assim…

A: Bah, eu nunca vou te entender.

B:Não precisa.

A: Preciso.

B: De quem?

A: De ninguém. Preciso ir embora, mais uma vez.

Homem não acredita mais em homem.

março 9, 2010

Perdi, e digo: sei aonde perdi – e não tenho coragem de voltar pra buscar.

É que eu perdi; aí, ganhei de novo. Mas perdi, mais uma vez.

Eu perdi duas vezes, no mesmo lugar.

Eu perdi muito tempo. Não, eu não perdi; Eu estou perdendo muito tempo.

Eu perdi as palavras. Na verdade, estou repleto delas. Não tenho é coragem pra falar.

Eu perdi o sono. Ah, esse eu nem quero mais.

Eu perdi uma porção de camisetas das minhas bandas preferidas.

Eu perdi a razão, perdi a vergonha, perdi meu isqueiro, perdi minha coragem.

Perdi minha coragem, merda.

A: Vamos?

B: Agora?

A: Então deixa…

B: PORRA, você não tem paciência!

A: Tenho, até demais.

B: Eu não tenho paciência com você.

A: Eu tenho medo de várias coisas.

B: Inclusive de você.

A: Me diz alguma coisa boa?

B: O quê?

A: Nada, esquece.

Sobre tu e você.

março 6, 2010

Posteridade. Dá até medo dessa palavra. O que será posterior ao agora? O que é posterior ao que foi ontem? E porque não repetimos (para a posteridade), aquilo que fizemos antes? Tô cheio de problemas, de erros de português, de rock inglês cantado por americano, cheio de eletrônicos do chinês, cheio de amigo chinelo com visto italiano.

A: Por quê?

B: Você sabe que eu não sei falar “Tu”.

A: Tenta, é fácil.

B: Fala “Você”, então.

A: Eu não. Não é assim que eu aprendi.

B: Nem tudo é como a gente aprende. Pelo visto você não aprendeu.

A: Tu que não quis me ensinar.

B: Você não pediu.

A: Me ensina?

B: Não sei mais.

A: Viu? Tu nunca te decide.

B: Por que você sempre quer decidir pra mim?

A: Porque “você” nunca decidiu por mim.

Sobre C e E.

março 4, 2010

Você disse “Oi”; eu respondi.

Você não tinha mais cigarros; eu ofereci.

Você queria andar;  corremos.

Você queria beijar; eu também.

Você tinha medo; eu não.

Você tinha algo; eu não tinha ninguém.

Você me beijou. Você me beijou.

Eu queria beijar; você não sabia mais.

Eu queria correr, você fugiu.

Eu tinha você; você não queria nada.

Eu disse “Oi”; você disse “Adeus”.

Eu tenho tantos cigarros; você nem fuma mais.

Queria que você ligasse; você não ligou.

Queria que você falasse; você se calou.

Queria que o tempo passasse; você voou.

A: Vamos nos encontrar?

B: Já nos encontramos. Inclusive, já nos perdemos.

A: Vamos tentar!

B: Já tentamos, mais de uma vez. Vamos parar por aqui?

A: Estamos parados há muito tempo.

B: Então, vamos deixar tudo como está.

A: Não podemos. Já mudamos tudo.

B: Vamos fazer o quê?

A: Não sei, me liga.