Ela não sabe.

março 12, 2010

“Ela não sabe muito bem o que quer”, responderia eu ao Humberto Gessinger, contrariando a grande letra de “Ela sabe”.

“Diga a ela que me viu num bar, e que eu estava com o Thedy e o João”.

B: Vamos começar tudo outra vez?

A: Não fui eu quem pediu.

B: Mas você quis.

A: Eu sempre quero.

B: Esse é o seu problema.

A: Meu?

B: Seu.

A: Nosso?

B: Seu. Você sabe que eu sou assim…

A: Assim como?

B: Segura.

A: É mesmo? Tem certeza?

B: Não. Vamos sair daqui?

A: Eu já saí.

B: Então fica…

A: Tu não vai te decidir?

B: Eu te avisei que era assim…

A: Bah, eu nunca vou te entender.

B:Não precisa.

A: Preciso.

B: De quem?

A: De ninguém. Preciso ir embora, mais uma vez.

Homem não acredita mais em homem.

março 9, 2010

Perdi, e digo: sei aonde perdi – e não tenho coragem de voltar pra buscar.

É que eu perdi; aí, ganhei de novo. Mas perdi, mais uma vez.

Eu perdi duas vezes, no mesmo lugar.

Eu perdi muito tempo. Não, eu não perdi; Eu estou perdendo muito tempo.

Eu perdi as palavras. Na verdade, estou repleto delas. Não tenho é coragem pra falar.

Eu perdi o sono. Ah, esse eu nem quero mais.

Eu perdi uma porção de camisetas das minhas bandas preferidas.

Eu perdi a razão, perdi a vergonha, perdi meu isqueiro, perdi minha coragem.

Perdi minha coragem, merda.

A: Vamos?

B: Agora?

A: Então deixa…

B: PORRA, você não tem paciência!

A: Tenho, até demais.

B: Eu não tenho paciência com você.

A: Eu tenho medo de várias coisas.

B: Inclusive de você.

A: Me diz alguma coisa boa?

B: O quê?

A: Nada, esquece.

Sobre tu e você.

março 6, 2010

Posteridade. Dá até medo dessa palavra. O que será posterior ao agora? O que é posterior ao que foi ontem? E porque não repetimos (para a posteridade), aquilo que fizemos antes? Tô cheio de problemas, de erros de português, de rock inglês cantado por americano, cheio de eletrônicos do chinês, cheio de amigo chinelo com visto italiano.

A: Por quê?

B: Você sabe que eu não sei falar “Tu”.

A: Tenta, é fácil.

B: Fala “Você”, então.

A: Eu não. Não é assim que eu aprendi.

B: Nem tudo é como a gente aprende. Pelo visto você não aprendeu.

A: Tu que não quis me ensinar.

B: Você não pediu.

A: Me ensina?

B: Não sei mais.

A: Viu? Tu nunca te decide.

B: Por que você sempre quer decidir pra mim?

A: Porque “você” nunca decidiu por mim.

Sobre C e E.

março 4, 2010

Você disse “Oi”; eu respondi.

Você não tinha mais cigarros; eu ofereci.

Você queria andar;  corremos.

Você queria beijar; eu também.

Você tinha medo; eu não.

Você tinha algo; eu não tinha ninguém.

Você me beijou. Você me beijou.

Eu queria beijar; você não sabia mais.

Eu queria correr, você fugiu.

Eu tinha você; você não queria nada.

Eu disse “Oi”; você disse “Adeus”.

Eu tenho tantos cigarros; você nem fuma mais.

Queria que você ligasse; você não ligou.

Queria que você falasse; você se calou.

Queria que o tempo passasse; você voou.

A: Vamos nos encontrar?

B: Já nos encontramos. Inclusive, já nos perdemos.

A: Vamos tentar!

B: Já tentamos, mais de uma vez. Vamos parar por aqui?

A: Estamos parados há muito tempo.

B: Então, vamos deixar tudo como está.

A: Não podemos. Já mudamos tudo.

B: Vamos fazer o quê?

A: Não sei, me liga.